sábado, 11 de novembro de 2017

Cientistas apóiam a desocupação da APE de Paracatu

Belo Horizonte, 10 de novembro de 2017


Engenheiros, biólogos e médicos da UFMG-Universidade Federal de Minas Gerais, da UFU-Universidade Federal de Uberlândia e da USP-Universidade de São Paulo enviaram requerimentos ao Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) esta semana, alertando para a necessidade de desocupar a APE-Área de Proteção Especial de Paracatu.

A APE de Paracatu abrange 25 mil hectares de cerrados destinados à conservação da natureza e produção de água para os mais de 80 mil habitantes da cidade.

Os cientistas querem reforçar a proteção ambiental na APE, mediante criação de novas unidades de conservação. As atuais unidades de conservação, sendo duas particulares (RPPN-Reservas Particulares de Patrimônio Natural) e uma estadual (Parque Estadual de Paracatu) cobrem apenas 40% da APE.

Os cientistas também apóiam a decisão da Justiça Agrária de Minas Gerais de retirar os invasores “sem terra” da Fazenda Paiol, localizada no centro geográfico da APE de Paracatu.

"As medidas propostas atendem os interesses difusos da proteção dos mananciais de abastecimento de água da cidade de Paracatu", afirma Apolo Heringer Lisboa, médico, especialista em medicina preventiva e social, idealizador do “Projeto Manuelzão” e um dos requerentes. “Paracatu sofre do fenômeno da seca subterrânea causada pela ocupação predatória da APE de Paracatu e seu entorno, agravada pela perfuração indiscriminada de poços e a mineração de ouro a céu aberto“, justifica.

Também assinam os requerimentos ao MPMG: Sergio Dani, médico, geneticista e toxicologista com diversos trabalhos realizados na APE de Paracatu; Paulo Maurício Serrano Neves, especialista em direito constitucional; Alexandre Salino, especialista em botânica e curador do Herbário da UFMG, com trabalho realizado na APE de Paracatu; Fabrício Santos, especialista em genética das populações humanas indígenas e conservação dos recursos genéticos animais e vegetais; Mauro da Costa Val, engenheiro civil e sanitarista, mestre em saneamento, meio ambiente e recursos hídricos, membro do Conselho do Parque Estadual de Paracatu; Heraldo Vasconcellos, especialista em artrópodes com trabalho realizado na APE de Paracatu e Hani Yehia, engenheiro especialista em reconhecimento de padrões.

quarta-feira, 8 de novembro de 2017

Kinross finalmente proibida de fazer pagamentos facilitadores para servidores públicos


Essa mudança de lei reforça o compromisso do Canadá no combate à corrupção”, afirmou Daniel Whalen, um advogado da divisão jurídica para assuntos criminais, de segurança e diplomacia global do governo canadense, a Global Affairs Canada.

http://tradecommissioner.gc.ca/canadexport/0002067.aspx?lang=eng

A vida depende de água, e água depende de justiça

Marcos Spagnuolo Souza

(Resumo de um discurso proferido na Câmara Municipal de Paracatu, em outubro de 2017)

Em 2006, o Plano Diretor de Recursos Hídricos da Bacia do rio Paracatu já apontava que as veredas, lagoas marginais e cursos d’ água e áreas de preservação permanente estavam sofrendo o impacto da utilização exaustiva de suas águas para irrigação, em toda a bacia hidrográfica. 

Em 2009, no Seminário Municipal de Desenvolvimento Sustentável de Paracatu, identificaram como sendo o principal problema do município, a redução da quantidade e da qualidade da água dos mananciais existentes no município, e que dos 823 mil hectares de terra que fazem parte de Paracatu, apenas um terço ainda conserva a vegetação nativa do cerrado. 

Em 2010, o Zoneamento Ecológico e Econômico de Minas Gerais indicou que as atividades agropecuárias e mineradoras causam impactos no território municipal. A situação agravou-se e as propostas para a solução desses problemas não foram implantadas e sequer houve acompanhamento das metas propostas. 

Em 2011, a Prefeitura de Paracatu encomendou o “Plano Bi-decenal de Desenvolvimento Sustentável do Município de Paracatu” à Fundação João Pinheiro. Esse plano ressaltava que (i) as bacias hidrográficas do município já estão comprometidas pelo uso excessivo da água em atividades agropecuárias; (ii) em alguns casos, o volume de água disponível é inferior ao volume efetivamente consumido; (iii) o conflito entre os usos da água tende a agravar, pois o volume de água disponível para uso humano, animal e ecológicos é cada vez mais reduzido em função das práticas agrícolas  e minerárias; (iv) a situação do município de Paracatu é muito grave, pois toda a água superficial disponível está comprometida; (v) a captação de água no Ribeirão Santa Isabel, iniciada no final da década de 1990, previa um alcance operacional até 2012, e a segunda etapa do projeto, que previa a captação no rio Escuro, nunca ocorreu, mesmo porque a vazão do próprio rio Escuro também está se esgotando. 

Já não é possível distinguir o mal-planejamento e a cegueira dos gestores públicos e privados da ignorância, negligência, corrupção e ganância. Agora falam em captar as águas do rio São Marcos, talvez pensando em manter a mineração até que esse recurso hídrico superficial também seque. 

A sêca superficial evidente já denota a sêca subterrânea, agravada pela perfuração descontrolada de poços semi-artesianos e artesianos, tanto os autorizados quanto os clandestinos. Se esses não forem catalogados e inativados, a sêca subterrânea só irá se agravar, inviabilizando as atividades econômicas e a vida na região. 

O ouro, os grãos e as carnes  exportadas não contabilizam nos seus custos as florestas queimadas, os solos degradados e erodidos, a biodiversidade dilapidada, as águas consumidas e tampouco a poluição da atmosfera. Ainda encontramos mercado de consumo porque não contabilizamos no custo os gastos com a destruição da natureza, e estamos matando a nossa natureza para enriquecer uma minoria. 

A legislação federal que regula a utilização das águas subterrâneas, dos rios e nascentes deve ser implementada com legislação municipal regulando as áreas de preservação permanente no município e estruturando a fiscalização rigorosa que puna de modo exemplar os infratores e degradadores dos recursos hídricos, e uma política estruturada de fomento que recompense os produtores de água e os proprietários de Unidades de Conservação da natureza que geram balanço hídrico positivo. 

A proteção ambiental não interessa somente às questões econômicas, ela diz respeito à sobrevivência e bem-estar da população e dos demais seres vivos com os quais compartilhamos o planeta. A própria existência humana depende da aplicação da ciência e da justiça na produção e uso da água.

domingo, 15 de outubro de 2017

Por que falta água em Paracatu (ou: por que Paracatu ainda tem água)?

Sergio U. Dani, de Trübbach, Suíça, 15.10.2017



Foto │ Ribeirão Santa Isabel, completamente seco, logo abaixo do ponto de captação de água para abastecimento público de Paracatu. Foto postada no Facebook pelo vereador Edivar Andrade, em 21 de setembro de 2017.

Para entender porque falta água em Paracatu ou porque Paracatu ainda tem água é preciso entender algo muito simples: a água é armazenada nos solos e subsolos, assim como o dinheiro é guardado nos bancos e nos colchões, e quanto mais se deposita, mais se tem e se pode retirar, e quanto menos se deposita, menos se tem e menos se pode retirar. Os solos e subsolos são uma espécie de “conta bancária” de água.

O depósito da água no solo é feito pelas chuvas. A manutenção da água no solo e no subsolos é feita pela vegetação, pelos microorganismos e pelas rochas. A retirada da água dos solos e subsolos é feita, principalmente, pela força da capilaridade da água, que conduz boa parte da água dos solos de volta à atmosfera, e a força da gravidade, que conduz parte da água dos subsolos para os rios. Os rios são meros condutores do excesso de água que não pôde ser retido pelos solos e subsolos.

Fatores climáticos regionais e globais definem o clima em que vivemos, e consequentemente a quantidade de água de chuva que é depositada nos solos e subsolos. Nós exercemos pouca influência sobre esses fatores, assim como exercemos pouca influência sobre os fatores macroeconômicos. 

Entretanto, ao interferir nos mecanismos de depósito de água nos solos e subsolos, ou nos mecanismos de retirada da água depositada da “conta bancária” dos solos e subsolos, nós exercemos uma influência direta sobre a quantidade de água que é armazenada nos solos e subsolos. Consequentemnte, é nossa culpa se depositamos pouco e retiramos muito, zeramos o saldo ou criamos um saldo negativo.

O que acontece em Paracatu é exatamente isso. Tem chovido menos, esse é um fenômeno regional sobre o qual temos pouca influência, mas do qual temos consciência através dos resultados das medições de precipitação que são de amplo conhecimento. Em vez de nos adaptarmos a esta realidade, aumentando a capacidade de armazenamento de água nos solos e subsolos para fazer frente à demanda de água potável da população, estamos tolerando que façam exatamente o oposto: diminuam a capacidade de armazenamento (através dos desmates, substituição da vegetação nativa por pastos e lavouras, ressecamento e erosão dos solos), retirem água a mais da que é depositada (através de poços semiartesianos e artesianos, bombeamento de água para irrigação de lavouras e mineração de ouro em larga escala), e até destruam o próprio “banco de água” de Paracatu, os solos e subsolos onde a água é armazenada (destruição, entupimento e poluição das nascentes da face leste do Sistema Serra da Anta, pela mineração de ouro em larga escala).

Se falta água em casa para os mais de 80 mil habitantes de Paracatu, não foi por falta de aviso. Foi por falta de vergonha na cara, ganância, negligência e corrupção.

domingo, 24 de setembro de 2017

Intoxicação pelo arsênio agora mais visível

https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/28857213

Chichester, EUA, 31.08.2017 - Um novo método de diagnóstico da intoxicação crônica pelo arsênio foi publicado hoje, pela JAT (Journal of Applied Toxicology), revista científica internacional especializada em toxicologia [1].

Os autores do novo método, batizado de CAsIDS (abreviatura de “Chronic Arsenic Intoxication Diagnostic Score”) são o médico brasileiro radicado na Suíça, Sergio Ulhoa Dani e seu colega austríaco radicado na Alemanha, Gerhard Franz Walter.

O método é baseado na estimativa da concentração do arsênio nos ossos, calculada de forma não-invasiva, em duas amostras consecutivas de urina, e inclui a avaliação das manifestações clínicas típicas da intoxicação crônica pelo arsênio, em vários sistemas e órgãos do corpo humano. 

O envenenamento agudo pelo arsênio, embora raro nos dias de hoje, é facilmente reconhecido pelos seus sintomas como confusão mental, diarréia, colapso respiratório e circulatório seguido de morte dentro de poucas horas ou dias. 

Já a intoxicação crônica, apesar de ser mais frequente que o envenenamento agudo, dificilmente é reconhecida, pois suas manifestações clínicas e laboratoriais podem ser confundidas com as de outras doenças que matam depois de anos ou décadas.

O método CasiDS ajuda os médicos a reconhecer a intoxicação crônica com vários níveis de certeza.

Na publicação da revista JAT, os autores apresentam exemplos clínicos de intoxicação crônica pelo arsênio confirmados pelo CAsIDS. 

Entre os casos apresentados, inclui-se o de uma paciente da cidade de Paracatu, Minas Gerais, onde a empresa transnacional canadense, Kinross Gold Corporation/Kinross Brasil Mineração explora a maior mina de ouro a céu aberto do Brasil. 

O arsênio liberado das rochas da mina de Paracatu pela mineradora é transportado pela água e pelo ar e contamina o ambiente rural e urbano e milhares dos seus habitantes.

O arsênio e seus compostos são geralmente invisíveis, inodoros e insípidos. Com o CAsIDS, pelo menos o arsênio que contamina o corpo humano e causa doenças ficou mais visível.


Referência:

[1] Dani SU, Walter GF. Chronic arsenic intoxication diagnostic score (CAsIDS). J Appl Toxicol. 2017; 1–23. https://doi.org/10.1002/jat.3512

domingo, 6 de agosto de 2017

Organizações sociais repudiam revitalização da mineração no Brasil

Repúdio do Comitê Nacional em Defesa dos Territórios Frente à Mineração ao Programa de Revitalização da Indústria Mineral, anunciado pelo Presidente Michel Temer


Fonte:

http://signisalc.org/noticias/ecologia/29-07-2017/organizaciones-sociales-repudian-revitalizacion-de-mineria-en-brasil

    O lançamento do Programa de Revitalização da Indústria Mineral através de Medidas Provisórias é a marca antidemocrática das ações do Governo Temer. Mudar o Código da Mineração no momento de turbulência política pela qual passa o país, tratando a mineração apenas sob a ótica fiscal e administrativa, deixa claro que esta manobra faz parte do pacote de ações de desmonte da democracia e que é uma clara tentativa de buscar convencer parlamentares da bancada mineradora a votar contra o prosseguimento da denúncia da Procuradoria Geral da República (PGR) por corrupção passiva.

    Tratar a mineração como se fosse apenas um setor comercial capaz de aumentar a participação no PIB, que segundo anúncio subiria de 4 para 6%, aumenta ainda mais a fragilidade de fiscalização do Estado e coloca ainda mais em risco as populações ao redor das minas, as comunidades no entorno de sua logística e o meio ambiente.

    A expansão da mineração no Brasil nos últimos 15 anos tem trazido impactos significativos para as comunidades e o meio ambiente. De várias partes de nosso território ressoam denúncias de injustiças socioambientais provocadas pela mineração e sua cadeia produtiva, de transformação, escoamento e exportação. Ao mesmo tempo, os bens minerais brasileiros se esvaem por nossos portos, em uma verdadeira sangria, rumo ao exterior, reforçando o papel primário-exportador de nossa economia.

    A política de expansão da extração mineral, da qual a reformulação do novo Código Mineral é um dos elementos centrais, ganhou força desde 2013, com o envio ao Congresso Nacional do Projeto de Lei 5807/2013. As organizações membros do Comitê Nacional em Defesa dos Territórios frente à Mineração travaram uma luta pela garantia de direitos das populações atingidas, dos trabalhadores e contra os impactos ambientais provocados pelo modelo mineral brasileiro e impediram a votação texto do Novo Código em dezembro de 2015. Fez parte da ação do Comitê a denúncia à imprensa que o texto do Código havia sido escrito por advogados do escritório Pinheiro Neto, que representa diversas mineradoras como a Vale S.A e a BHP Billiton e que privilegiava exclusivamente o mercado.

    No anúncio do presidente realizado no dia 25 de julho do presente ano foram esquecidas as populações ao redor das minas, as impactadas pela logística de transporte, as comunidades, os povos tradicionais impactados e o meio ambiente. Que sequer foram citadas nos textos das MPs. Infelizmente, essas enormes cifras e cifrões escondem o rastro de destruição que a expansão da mineração vem deixando nos territórios. Essa política gerou desastres como o ocorrido em novembro de 2015 no distrito de Bento Rodrigues, Mariana (MG), onde 20 pessoas perderam suas vidas e mais de 600 suas casas. Até hoje os atingidos por este desastre, que incluem mais de 20 mil pessoas na Bacia do Doce, não foram indenizados pelas empresas e o Governo Federal não tomou nenhuma providência pela garantia dos seus direitos no anúncio do novo Programa. Pelo contrário. O texto na MP deixa claro que os danos ambientais e sociais provocados pela mineração, assim como o fechamento das minas é de responsabilidade exclusiva das empresas mineradoras. Mas como criar mecanismos para que a fiscalização a essas empresas seja feita de forma efetiva?

    Ao transformar o DNPM em Agência Reguladora, a Agência Nacional da Mineração, sem um longo processo de concursos públicos para a ingressão de funcionários qualificados, o governo deixa claro que pouco investimento será destinado à fiscalização. O DNPM é hoje um órgão sucateado. No Estado de Minas Gerais são apenas 4 fiscais para cuidar da fiscalização de mais de 700 barragens. Criar a Agência sem a garantia de um aumento significativo do corpo de servidores que farão a fiscalização dos empreendimentos não garante um maior controle sobre do Estado sobre o setor da mineração.

    Se a questão é fiscal e é necessário aumentar a arrecadação, porque o Governo não revê as leis que isentam a exportação de minérios do pagamento de ICMS, Lei Kandir, ou a Lei de isenção de Imposto de Renda para as empresas que atuam na Amazônia, entre elas todas as grandes mineradoras?

    As MPs 789, 790 e 791 anunciadas de forma antidemocrática pelo governo aprofundam uma lógica de expansão mineral segundo a qual os ganhos ficam concentrados nas mãos das empresas e os danos são distribuídos aos que vivem nos territórios decorrentes dos impactos ambientais significativos e irreversíveis sobre as águas, o ar, o solo, os ecossistemas, patrimônios arqueológicos, paleontológicos, culturais e simbólicos

    O aumento da CFEM por meio de mudanças na fórmula de cálculo (que passa a ser sobre o faturamento bruto e não mais o líquido) e as novas alíquotas não alterará substancialmente a condição do país de paraíso fiscal para as grandes mineradoras, todas transnacionais. Além disso, não resolverá o grave problema fiscal que hoje enfrentam os estados e a União e não reverterá o crônico desmonte do Estado e das políticas públicas. E a destinação dos recursos da Cfem não é clara em investimentos que realmente sejam de grande valia à população dos municípios dependentes da mineração. Principalmente no tocante à área da saúde, pois nestas localidades o aumento de doenças pulmonares, doenças de pele e os mais diversos tipos de cânceres é significativo. É uma irresponsabilidade promover a dependência econômica dos municípios a atividades minerais intensivas em exploração, que são capazes de em pouco tempo esgotar sua produção ao passo em que deixam como heranças irreversíveis para as atuais e futuras gerações a contaminação e depredação dos territórios, inviabilizando, inclusive, outras atividades econômicas que teriam potencial de serem socialmente justas e ambientalmente sustentáveis.

    Repudiamos o Programa de Revitalização da Indústria Mineral como um caminho para a saída da crise. Repudiamos o Programa, acima de tudo, porque ele aprofundará os impactos sobre as populações ao redor dos grandes projetos, as comunidades que sofrem o impacto da sua logística, sobre a água, o solo, o ar e todo meio ambiente, além de ampliar os riscos de desastres. São necessárias mudanças na mineração brasileira, mas para isso é necessária uma ampla e democrática discussão sobre o modelo mineral do nosso país, com a ampla participação de todos os atores envolvidos e os impactados pelo setor.

Assinam a nota:

    Ação Franciscana de Ecologia e Solidariedade – AFES
    Associação de Defesa do Meio Ambiente de Araucária – AMAR
    Associação dos Amigos de Paracatu – AMPARA
    Associação de Proteção ao Meio Ambiente – APROMAC
    Associação dos Povos Indígenas do Brasil – APIB
    Associação Comunitária Amigos do Meio Ambiente para a Ecologia e Desenvolvimento e o  Turismo Sustentáveis, Garopaba – SC.
    Associação Católica Brasil – SIGNIS Brasil
    Associação de Defesa e Desenvolvimento Ambiental de Ferros
    Associação Pró Pouso Alegre – APPA
    Abraço Guarapiranga – SP
    Articulação Internacional dos Atingidos e Atingidas pela Vale
    Articulação de Comunidades Negras Rurais Quilombolas – Conaq
    Bicuda Ecológica – Rio de Janeiro – RJ
    Brigadas Populares
    Centro de Estudos e Defesa do Negro do Pará-CEDENPA
    Centro Paulista de Estudos Geológicos – CEPEGE – USP
    Centro de Estudo Integração Formação e Assessoria Rural da Zona da Mata – CEIFAR
    Conselho Indigenista Missionário – CIMI
    Comitê Nacional em Defesa dos Territórios frente à Mineração
    Comitê Goiano de Direitos Humanos Dom Tomás Balduino
    Comissão de Assuntos Minerários – OAB-PA
    Comissão Dominicana de Justiça e Paz do Brasil
    Comissão Pró-Índio de São Paulo
    Comissão Pastoral da Terra – CPT
    Confederação Nacional dos Trabalhadores na Indústria – CTI
    Confluências
    Departamento Profissional Extrativo – DEPRONEX-CNTI
    Espaço de Formação Assessoria e Documentação – SP
    Espeleogrupo Pains -EPA
    Fórum da Amazônia Oriental – FAOR
    Fórum de Mudanças Climáticas e Justiça Social
    FASE
    Federação dos Trabalhadores nas Indústrias Extrativistas de Minas Gerais – Federação dos Trabalhadores nas Indústrias Urbanas de Minas Gerais -URBANOS/MG
    FIAN Brasil
    Fórum Nacional da Sociedade Civil nos Comitês de Bacias Hidrográficas Fonasc-CBH
    Greenpeace
    Grupo Política, Economia, Mineração, Ambiente e Sociedade – POEMAS
    Grupo de Estudos em Temáticas Ambientais – GESTA-UFMG
    Grupo de Estudos: Desenvolvimento, Modernidade e Meio Ambiente da Universidade Federal do Maranhão (GEDMMA-UFMA)
    Instituto Panamericano do Ambiente e Sustentabilidade – IPAN
    Instituto de Estudos Pró-Cidadania – PRÓ-CITTÀ
    Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas – Ibase
    Instituto de Estudos Socioeconômicos – INESC
    Instituto de Pesquisa e Formação Indígenas -Iepé
    Justiça nos trilhos
    Movimentos dos Trabalhadores sem Terra – MST
    Movimento pela Soberania Popular na Mineração – MAM
    Mater Nature
    Marcha Mundial do Clima
    Ministério da Verdade
    Movimento dos Atingidos por Barragens – MAB
    Movimento das Mulheres Camponesas – MMC
    Movimento Nacional Contra a Corrupção e pela Democracia – MNCCD
    Movimento dos Pescadores e Pescadoras Artesanais – MPP
    Movimento Artístico Cultural e Ambiental de Caeté – Macaca
    Movimento pelas Serras e Águas de Minas – MovSAM
    Movimento pela Preservação da Serra do Gandarela
    Missionários combonianos
    Movimento Aeroporto em Parelheiros Não!
    Projeto Saúde e Alegria
    Pastoral da Juventude Rural – PJR
    Rede ODS Brasil
    Rede de Cooperação Amazônica -RCA
    SOS Serra da Piedade
    SOS Clima Terra
    Serviço Interfranciscano de Justiça, Paz e Ecologia – SINFRAJUPE
    Toxisphera Associação de Saúde Ambiental
    Via Campesina Brasil

Internacionais:
    
    Associación Católica Latinoamericana y Caribeña de Comunicación – SIGNIS ALC
    Amazon Watch
    AIDC – South africa
    Amadiba Crisis Committee
    Agencia Latinoamericana y Caribeña de Comunicación – ALC Notícias
    International Rivers
    Foundation for Socio, economic rights -Swaziland
    Jupic Missioneros Claretianos San José del Sur (Argentina, Chile, Paraguay y Uruguay)
    Mining Affected Communities United in Action – South Africa
    Observatorio de Conflictos Mineros de América Latina
    People’s Dialogue – Southern Africa
    Rede Iglesias y Mineria
    Rural Women’s Assembly – Southern Africa
    Via Campesina Sudamerica
    Southern Africa Green revolutionary Council – South Africa
    TCOE – South Africa
    Women and Land- Zimbabwe
    Women and Mining – Southern Africa

Pesquisadores:

    Déborah Danowski (PUC-Rio/CNPq)
    Eduardo Viveiros de Castro (Museu Nacional, UFRJ/CNPq)
    Helena Meidani
    Horácio Antunes de Sant’Ana Júnior – Professor de Sociologia da Universidade Federal do Maranhão (UFMA)
    João Batista da Silva- Geógrafo
    Lêda Casadei Iorio
    Marijane Vieira Lisboa, Prof.Dra.Sociologia, Faculdade de Ciências Sociais, PUC-SP
    Pertti Simula
    Silvana Maria Gritti- Professora Associada- Unipampa- Jaguarão
    Sandra Luciana Dalmagro – Professora da UFSC e Doutora em Educação
    Virgínia Fontes – historiadora – UFF e Fiocruz

sábado, 29 de julho de 2017

A poeira arsenicosa que há décadas castiga Paracatu

Em julho de 2017, a intensidade da poeira arsenicosa liberada a partir da mineração de ouro a céu aberto da Kinross Brasil (RPM-Kinross; Kinross Gold Corporation), que há décadas castiga Paracatu, aumentou significativamente. 

Diversos cidadãos postaram imagens e vídeos da poeira nas redes sociais. 

Reproduzimos aqui imagens e um vídeo postados, no FaceBook, por Palmo Bianchi e Gaspar Reis Batista de Oliveira (o ex-vereador "Gaspar Chaveiro").

Atenção: esta poeira é venenosa! Sua inalação pode trazer danos à saúde. Esta realidade de Paracatu configura ESTADO DE CALAMIDADE PÚBLICA, conforme já denunciado pela Fundação Acangau no PEDIDO ADMINISTRATIVO feito à Prefeitura Municipal de Paracatu, em Fevereiro de 2017, e até agora não atendido pela Prefeitura: http://alertaparacatu.blogspot.ch/2017/02/pedido-administrativo-de-23-de.html 








sábado, 8 de julho de 2017

A função social da APE de Paracatu é a produção de água


Foto: a água pura vinda do campo faz a vida girar na cidade. Oberschan, vilarejo da comunidade suíça de Wartau, em junho de 2017.


A Justiça Agrária de Minas Gerais corretamente determinou a desocupação da Fazenda Paiol, do finado Dr. Chiquito, localizada bem no centro da APE-Área de Proteção Especial de Paracatu. Essa decisão é muito importante para a proteção dos mananciais de abastecimento de Paracatu. 

A área foi invadida por pessoas ligadas ao “movimento dos trabalhadores sem-terra” e o partido político PSOL. A decisão da Justiça era esperada pelos produtores rurais da região e a população de Paracatu, que depende da água que vem da APE.

A permanência dos invasores na APE seria um erro com consequências socioambientais negativas. Quem quer trabalhar na terra, deve fazê-lo dentro da lei e dos bons costumes, não através de invasão. Quem quer adquirir terra, certamente encontrará terra em local mais apropriado, longe da APE. O município de Paracatu é um dos maiores do Estado de Minas Gerais, por que então invadir logo a caixa d'água da cidade, a área mais vulnerável aos efeitos nocivos da ocupação desordenada e degradação ambiental? A área mais protegida de todo esse imenso município?

A função social da APE é a proteção da natureza e a produção de água para abastecimento humano, o uso mais nobre que se pode dar à água.

O interesse dos mais de 80 mil habitantes da cidade de Paracatu é pela proteção da APE. Não se admite que os interesses de algumas centenas de pessoas se sobreponha ao interesse público.

Os cidadãos de Paracatu estão comemorando a decisão da Justiça. Cidadãos, empresas , poder público e terceiro setor estão organizando o "Grande Mutirão da Limpeza e Proteção da APE".

O Mutirão atuará antes, durante e após a desocupação da APE, para promover ações tão urgentemente necessárias para a segurança hídrica de Paracatu.

Após apoiar a desocupação e limpeza da área invadida, o Mutirão deve continuar suas atividades de proteção da APE, visando a valorização da APE de Paracatu como área de interesse especial para a conservação da natureza e produção de água.


Saiba mais: 

No passado, os habitantes de Paracatu bebiam água de várias nascentes e córregos urbanos, entre eles o Córrego Rico, o principal curso d'água urbano. Entretanto, a perfuração indiscriminada de fossas sépticas pela população contaminou as nascentes e o Córrego Rico perdeu grande parte de sua vazão com a destruição das suas nascentes no Morro do Ouro, causada pela mineradora transnacional, RPM-Kinross. A mineradora também destruiu nascentes do Córrego São Domingos e entupiu o Córrego Santo Antônio com uma gigantesca barragem de rejeitos, afetando o abastecimento d'água de milhares de pessoas. A população de 80 mil habitantes precisou recorrer a dezenas de poços artesianos, que também não conseguiram atender à demanda de água da cidade. Em 1996, a prefeitura municipal chegou a decretar estado de calamidade pública causada pela falta d'água na cidade. A crise foi provisoriamente resolvida com a construção de um ponto de captação de água e uma estação de tratamento de água no Ribeirão Santa Isabel, a 20 km da cidade. A água do Santa Isabel é cara, porque o ponto de sua captação está localizado a jusante de uma área agrícola e de uma rodovia estadual, e distante da cidade, o que exige tratamento e energia elétrica para o seu bombeamento e distribuição. A partir de 2010, fontes alternativas de abastecimento de água, por queda livre, as nascentes da face leste da Serra da Anta, do Vale do Machadinho, foram destruídas por uma segunda barragem de rejeitos da Kinross. A expansão da mineração de ouro, a ocupação e uso desordenado do solo e o agravamento da seca nas últimas décadas estão causando o desparecimento da água em várias nascentes no Sistema Serra da Anta, e uma diminuição significativa da vazão do Ribeirão Santa Isabel, colocando em risco a segurança hídrica da cidade de ParacatuDesde 2004, existe uma  Associação de Produtores de Água na APE de Paracatu, a Apacanpremiada no mesmo ano com o Troféu Ouro Azul, uma promoção de Furnas Centrais Elétricas e Diários Associados. Os mais de 100 bolsões e curvas de nível construídos pelos associados da Apacan contribuem com a captação e infiltração de aproximadamente 40 milhões de metros cúbicos de água por ano, equivalente ao volume de água consumido durante uma semana na cidade de Paracatu. Será preciso construir muito mais bolsões e curvas de nível, bem como aumentar a proteção ambiental da APE, para garantir a segurança hídrica de Paracatu.

sexta-feira, 16 de junho de 2017

Justiça determina desocupação da Fazenda do Paiol, na APE de Paracatu

A Fazenda do Paiol fica no centro da APE - Área de Proteção Especial de Paracatu, onde estão as nascentes que abastecem a cidade de Paracatu com água potável. A decisão da Justiça de retirar os invasores deve ser apoiada por toda a sociedade de Paracatu. Afinal, é da APE que vem a água que usamos todos os dias em nossas casas em Paracatu. A sociedade não pode aceitar a invasão da verdadeira "CAIXA D'ÁGUA" de Paracatu. Por isso, todos devemos apoiar a desocupação da Fazenda do Paiol.

SECRETARIA DA VARA AGRÁRIA DE MINAS GERAIS. COMARCA DE BELO HORIZONTE. EDITAL DE CITAÇÃO. PRAZO: 20 (VINTE) DIAS. O Juiz de Direito Substituto da Vara Agrária de Minas Gerais, Doutor Pedro Cândido Fiúza Neto, na forma da Lei, FAZ SABER a quantos o presente edital virem ou dele conhecimento tiverem que, perante este Juízo e Secretaria, processam-se os termos e atos da AÇÃO REINTEGRATÓRIA DE POSSE Nº 0024.12.203.203-0, movida por ESPÓLIO DE FRANCISCO TIMÓTEO LISBOA, -representado pelo herdeiro e inventariante Élzio Ulpiano Lisboa - Termo de Compromisso às f. 158-, assistido pela litisconsorte C3 APOIO ADMINISTRATIVO E COMERCIAL LTDA, - sociedade limitada inscrita no CNPJ-MF 09.656.222/0001-31, sediada à Rua T-37, Nº 3256, apartamento 1201, Edifício Renoir, Setor Bueno, em Goiânia-GO, CEP 74.230-022 -, contra o GRUPO OU MOVIMENTO SOCIAL DE LUTA PELA MORADIA, TERRA OU REFORMA AGRÁRIA QUE ATUA SOB A BANDEIRA DO MOVIMENTO TERRA, TRABALHO E LIBERDADE (f. 599), LEDA DO CARMO SILVA PEREIRA LIMA (f. 618), GISLENE MARIA CAIXETA GONÇALVES (f. 618), CELIO DE SOUZA MATOS(f. 618), ANA PAULA JOSE LUIZ (f. 618), WALDIR AMARAL MONTIJO (f. 618), MARIA DE FATIMA PARENTE BARBOSA(f. 618), JOSE FRANCISCO DE SOUZA MATOS(f. 618), DIVA PEREIRA DA SILVA(f. 618), JÉSSICA SIHEO COUTO(f. 618), LUCILENE PEREIRA ROSA (f. 855), WANDERLY SANTOS BRITO (f. 618), ALFREDO SILVA DE OLIVEIRA(f. 618), ISMAR DIAS DA ROCHA(f. 618), FRANCISCO DA PAIXÃO PEREIRA(f. 618), ALMIR SOUSA MATOS(f. 618), FERNANDO GONÇALVES DA SILVA(f. 618), VANILDA GONÇALVES DA SILVA(f. 618), CLAUDIANA PAIXÃO ESPÍRITO SANTO (f. 618), JOSÉ QUEIROZ DE SOUZA(f. 618), CLAUDINEI FERNANDES DOS REIS(f. 618), MARIA ROMUALDA C. RODRIGUES (f. 855), MARIA DA CONCEIÇÃO RIBEIRO DA SILVA (f. 855), ANA MARIA DOS S. GONÇALVES(f. 618), ELISON SILVA AZEVEDO(f. 618), JOSE PEREIRA DE BRITO (f. 199), DEODATO DIVINO MACHADO (f. 203), EDSON REZENDE SILVA (f. 855), CLAUDIO DA SILVA AMARAL (f. 855), SINVAL COSTA DA SILVA (f. 855), JOÃO BATISTA BRAGA (f. 599), ELTON CRUVINEL (f. 599), EDGAR DE OLIVEIRA SOUZA(f. 599), ALCEBÍADES DE TAL (f. 599), PAULO PEREIRA DA SILVA(f. 599), FERNANDA OLIVEIRA SOUZA(f. 599), ANTONIA DE TAL(f. 599), GILBERTO DE TAL(f. 599), APARECIDA DE TAL(f. 599), MARCOS DE TAL(f. 599), OZAIR DE TAL(f. 599), TERESA DE TAL(f. 599), ação em que o autor, dizendo-se possuidor, busca proteção possessória para o imóvel rural denominado "Fazenda Paiol e Buriti do Bernardo", com área equivalente a 621,35,51 ha (seiscentos e vinte e um hectares trinta e cinco ares e cinquenta e um centiares), objeto da matrícula imobiliária nº 13.127 do CRI local, situado no Município e Comarca de Paracatu/MG. Tendo-se em vista que se trata de ação possessória envolvendo litígio fundiário coletivo, destina-se o presente edital à CITAÇÃO E INTIMAÇÃO dos requeridos INCERTOS OU DESCONHECIDOS QUE COMPÕEM A COLETIVIDADE DO GRUPO OU MOVIMENTO SOCIAL DE LUTA PELA MORADIA, TERRA OU REFORMA AGRÁRIA QUE ATUA SOB A BANDEIRA DO MOVIMENTO TERRA, TRABALHO E LIBERDADE, e, por medida de economia e celeridade processual, dos requeridos nominados acaso não localizados para citação pessoal, mormente do próprio Grupo, Associação ou Movimento Social de Luta Pela Moradia, Terra ou Reforma Agrária, - este que não tem personalidade jurídica, mas agrega pessoas em torno de seus ideais-, PARA OS TERMOS DA PRESENTE AÇÃO POSSESSÓRIA, E, PARA, QUERENDO, OFERTEM DEFESA/RESPOSTA NO PRAZO DE (15) QUINZE DIAS, ficando os mesmos advertidos de que, em caso de revelia, ser-lhes- á nomeado curador especial (artigo 257, IV do NCPC). O presente edital será afixado no lugar de costume e publicado na forma da Lei. Belo Horizonte, 25 de maio de 2017. Karmen Guedes - Escrivã Judicial (F251694). Doutor Pedro Cândido Fiúza Neto, Juiz de Direito Substituto, da Vara Agrária de Minas Gerais. 

domingo, 14 de maio de 2017

Pesca-e-solta vai dar sáude ao rio, diz o governo


Uma propaganda da Prefeitura de Paracatu e do governo do Estado de Minas Gerais anuncia "Rio Paracatu, Vida Saudável." Trata-se de um programa de substituição do "pesca-e-come" pelo "pesca-e-solta". 

O título da campanha do governo é desproporcional ao seu conteúdo, chega a ser mentiroso. O rio Paracatu está tão assoreado em decorrência dos desmatamentos e mau manejo dos solos agrícolas; tão contaminado em decorrência da mineração e da urbanização mal controladas, que o pouco peixe que se encontra nele nem deveria ser consumido. 

Chega a ser sarcástico o título dessa propaganda. Os homens no governo não dão o peixe, e agora querem ensinar a pescar! Essa é a resposta do governo para salvar a vida e a saúde do rio? 

Deviam, pelo menos, ter vergonha na cara e parar de nos tratar de burros e idiotas. A solução para a agonia do rio Paracatu exige visão sistêmica e ações eficazes sobre as causas, não sobre os efeitos.

sábado, 6 de maio de 2017

Número real de mortes pela inalação de arsênio da mineração está oculto, dizem cientistas americanos

Alex Keil e David Richardson, dois cientistas do Departamento de Epidemiologia da Universidade da Carolina do Norte, USA, reavaliaram a ligação entre a inalação de arsênio por trabalhadores da mineração contratados entre 1938 e 1955 nos Estados Unidos, e múltiplas causas de morte desses trabalhadores até o ano de 1990. 

Eles estimaram que a eliminação da exposição ao arsênio no ambiente de trabalho poderia ter evitado 22 mortes à idade de 70 anos para cada 1.000 trabalhadores. Dessas 22 mortes, eles estimaram que 7 seriam devidas às doenças do coração, 4 devidas aos cânceres do trato respiratório, e 11 devidas a outras causas. 

Isso significa que uma mineração que tivesse exposto, por exemplo, 3 mil funcionários diretos e indiretos ao arsênio pode ter causado a morte de 66 pessoas nos Estados Unidos, onde geralmente os controles são mais rígidos que em outros países.

Os autores do estudo também mostraram que a tendenciosidade das análises de exposição ocupacional feitas anteriomente pode ter mascarado as associações entre a exposição e seus efeitos sobre a saúde. 

Os resultados enfatizam a necessidade de considerar todas as rotas de exposição ao arsênio nos estudos de avaliação de risco ao longo prazo.

Referência:

Keil AP, Richardson DB. 2017. Reassessing the link between airborne arsenic exposure among anaconda copper smelter workers and multiple causes of death using the parametric g-formula. Environ Health Perspect. 125:608-614.

sexta-feira, 14 de abril de 2017

Televisão francesa mostra desastres ambientais e humanitários causados por mineradora canadense em Paracatu, Brasil

Paris, 12 de abril de 2017

A France Télévisions pôs no ar o documentário "L'or à tout prix" ("Ouro a qualquer preço") sobre os impactos socioambientais da maior mina de ouro do Brasil, a mina de ouro a céu aberto de Paracatu, operada pela mineradora canadense Kinross Gold Corporation / Kinross Brasil Mineração SA. 


O realizador do documentário, Zinedine Boudaoud entrevistou diversos moradores contaminados pelo arsênio liberado pela Kinross, muitos deles gravemente enfermos. Ele conversou também com cientistas, como o geólogo Márcio José dos Santos e o médico Sergio Ulhoa Dani, que há anos estudam e denunciam a contaminação ambiental e as doenças e mortes causadas pelas atividades da Kinross em Paracatu.


Entre as autoridades de Paracatu, o prefeito da cidade, Olavo Remígio Condé negou a existência dos problemas causados pela Kinross. O promotor de justiça de Paracatu, Paulo Campos Chaves, cuja filha foi contratada como advogada pela Kinross, negou-se a conceder entrevista.


Um documentário magistral que serve para informar toda a comunidade francófona, inclusive do Canadá, país de origem da Kinross Gold Corporation.


O documentário pode ser assistido em https://www.youtube.com/watch?v=wxWd5V6calc



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http://www.francetvpro.fr/france-o/programmes/2188467
Francetv pro  Ô
TEMPS FORT SEMAINE 15
INVESTIGATIÔNS — « LA SOIF DE L'OR »
L'OR À TOUT PRIX
Magazine d’investigation  Inédit  Mercredi 12 avril 2017 à 20.55 

Cette semaine, Investigatiôns enquête à Paracatu, au Brésil, sur la plus vaste mine d’or à ciel ouvert au monde ! Cette mine de 110 km² ressemble à un monstre énorme qui dévore chaque jour un peu plus la ville et ses habitants touchés par de nombreuses pathologies.

Paracatu est une ville brésilienne de 84 000 habitants située dans l'État du Minas Gerais. Elle est surnommée « la cité de l’or », mais devrait plutôt être appelée « la cité de l’arsenic ». Le nombre de cas de cancers et d’autres maladies graves y croît anormalement. Les pathologies répertoriées sont graves : cancers de toutes sortes, graves affections neurologiques accompagnées de paralysie, syndrome de Guillain-Barré, troubles auditifs, baisse de l’acuité visuelle...

L'origine du mal ? L’arsenic libéré dans l’air et dans l’eau par la plus grande mine d’or à ciel ouvert du monde.

La mine est la propriété du groupe canadien Kinross Gold Corporation. C’est la principale source de revenus et d’emplois de toute la région. Mais, depuis 1987, la population locale est exposée à une intoxication massive, même si la compagnie minière comme les autorités politiques et judiciaires, sous influence, la nient. « Attitude irresponsable », selon José Marcio dos Santos, un géologue à la retraite, et l'oncologue Sergio Ulhoa Dani, qui ont démontré la réalité et la gravité de l’intoxication. D’autres lanceurs d’alerte ont été menacés de mort et ont dû s’exiler après s’être exprimés à haute voix. C’est le cas de Rafaela Xavier, une ex-employée municipale. Les malades de Paracatu, eux, réclament aide et justice, mais personne ne les entend.

En Afrique, en Amérique du Nord et du Sud, rien n'a pu arrêter les compagnies minières dans leur soif d’or, d’argent et de platine.

À Paracatu, l’activité minière a commencé il y a trente ans, mais aucune enquête épidémiologique indépendante n'a encore été menée ; aucun procès instruit non plus, en dépit de plusieurs plaintes pour empoisonnement.

La mine est en activité jusqu'en 2036... La contamination n'est pas prête de s'arrêter. 

http://www.programme-tv.net/programme/culture-infos/r39064-investigations/9628979-investigations/#.WPBZjhQdsZg.facebook

Investigatiôns
Au sommaire : "L'or à tout prix" Un documentaire français réalisé par Zinedine Boudaoud en 2017. La plus grande mine d'or à ciel ouvert du monde se trouve près de la ville de Paracatu, dans l'Etat du Minas Gerais, au Brésil. Son exploration génère des emplois et des ressources pour la région, Mais elle inquiète sérieusement les habitants de Paracatu, intoxiqués par les métaux lourds libérés dans l'air. "L'or, une guerre sale" Un documentaire helvético-français réalisé par Daniel Schweizer en 2014. Des exploitations minières d'Amérique du Sud aux enseignes de luxe genevoises, enquête sur les dérives du marché de l'or et ses alternatives «vertes».

Le Figaro - Informations
Genre : Documentaire - Santé  Année : 2017
Résumé de L'or à tout prix
Paracatu est une ville brésilienne de 84 000 habitants située dans l'État du Minas Gerais, au Brésil. Elle est surnommée «la Cité de l'or», mais devrait plutôt être appelée «la Cité de l'arsenic». Le nombre de cas de cancers et d'autres maladies graves y croît anormalement. Les pathologies répertoriées sont graves : cancers de toutes sortes, graves affections neurologiques accompagnées de paralysie, syndrome de Guillain-Barré, troubles auditifs, baisse de l'acuité visuelle. L'origine du mal ? L'arsenic libéré dans l'air et dans l'eau par la plus grande mine d'or à ciel ouvert du monde.

quarta-feira, 12 de abril de 2017

Método SORAS de purificação de água contaminada por arsênio

Como é público e notório, e está comprovado em diversos estudos científicos, a mineração de ouro em rocha arsenopirita conduzida pela Kinross em Paracatu está contaminando o ar, os solos e as águas com arsênio inorgânico altamente tóxico e danoso para a sua saúde.

Enquanto uma solução judicial para o problema não é encontrada, é preciso tomar alguns cuidados para minimizar a exposição ao arsênio. Obviamente, a maioria das pessoas que moram em Paracatu não podem se mudar da cidade, e continuam sujeitas a respirar o veneno, dia e noite.

Algumas pessoas, como os habitantes do Vale do Ribeirão Santa Rita, encontram-se forçadas a consumir água do subsolo que já está gravemente contaminada pela atividade minerária da Kinross, conforme mostramos ano passado [1].

É possível que pessoas vivendo em outras regiões também sejam afetadas, pela influência das barragens de rejeitos da Kinross [2].

De qualquer modo, a água sob influência da mineração não está própria para consumo. 

Se você mora na região impactada pela mineração, ou se usa água de poço contaminada pelo arsênio, recomendamos que você trate a água de beber da seguinte forma (método SORAS-"Solar Oxidation and Removal of Arsenic", desenvolvido pelo suíços Stephan Hug e Martin Wegelin, do Instituto Federal Suíço para Ciência e Tecnolgia Ambiental (EAWAG) [3,4]:

- encha uma garrafa PET transparente com 1 litro da água contaminada pelo arsênio;

- pingue algumas gotas de ácido cítrico (você deve achar no supermercado, pois ele é usado para a preparação de refrescos e doces). Se não encontrar, use 4 a 8 gotas de suco de limão mesmo;

- deixe a garrafa PET deitada ao sol, durante o dia todo; dentro de algumas horas, a parte ultravioleta  da luz do sol, na presença do ácido cítrico e de hidróxido de ferro presente na água acelera a oxidação do arsênio (III) para arsênio (V), que se liga mais fortemente ao ferro dissolvido, formando um precipitado; 

- à noitinha, coloque a garrafa de pé e deixe-a quieta até o dia seguinte. Se o método de purificação funcionou, você verá o precipitado (uma "laminha") no fundo da garrafa. Despeje a água tratada num filtro de barro normal ou num recipiente limpo, tomando o cuidado de não agitar o precipitado. Jogue fora o precipitado contendo arsênio e ferro.

Referências:

[1] Santos MJ, Dani SU. 2016. Arsenic contamination of the environment and the human compartment by gold mining in Paracatu, MG, Brazil [Contaminação ambiental e do compartimento humano pelo arsênio liberado pela mineração de ouro em Paracatu, MG, Brasil]. Congresso da Sociedade de Análise de Risco Latino Americana SRA-LA. SRA-LA/ABGE, IPT, São Paulo, Brazil – 10-13 May, 2016.

[2] Conheça a hipótese da contaminação das águas subterrâneas de Paracatu: http://alertaparacatu.blogspot.ch/2009/12/hipotese-de-contaminacao-das-aguas-de.html.

[3] Hug SJ, Canonica L, Wegelin M, Gechter D, Von Gunten U. Solar oxidation and removal of arsenic at circumneutral pH in iron containing waters. Environ Sci Technol. 2001 May 15;35(10):2114-21.

[4] Schweizer Forscher entwickeln Methoden zur Wasserreinigung. Arsenbelastung im Trinkwasser - ein lösbares Problem? NZZ, 21.5.2003. https://www.nzz.ch/article8SBOS-1.255363

sexta-feira, 31 de março de 2017

El Salvador prefere agua ao ouro e bane todo tipo de mineracao

https://www.nytimes.com/2017/03/29/world/americas/el-salvador-prizing-water-over-gold-bans-all-metal-mining.html?_r=0

Declaring that El Salvador’s fragile environment could not sustain metal mining operations, legislators across the political spectrum approved the ban, which had broad support, particularly from the influential Roman Catholic Church.

Supporters said the law was needed to protect the country’s dwindling supply of clean water.

“Today in El Salvador, water won out over gold,” Johnny Wright Sol, a legislator from the center-right Arena party, wrote on Twitter.

The vote in the Legislative Assembly turned a decade-old moratorium on mining into law, halting efforts by international companies to tap the gold belt running across the northern provinces of El Salvador.

“It’s a wonderful moment for the first country to evaluate the costs and benefits of metallic mining and say no,” said Andrés McKinley, a mining and water specialist at Central American University in San Salvador.

The law does not apply to quarrying or the mining of coal, salt and other nonmetallic substances.
Other countries are unlikely to follow El Salvador’s national ban, mining watchdog groups say. But the law sets a powerful example to communities that oppose large mining projects and bolsters the case against mining in environmentally delicate areas.

“Globally there is a growing questioning of mining as an economic development engine,” said Keith Slack, the global program director for extractive industries at Oxfam America in Washington. “I think it definitely strengthens the voice of communities that are raising the questions.”

Around the world, scattered bans on the use of cyanide to extract gold from low-grade ore, commonly used in open-pit mining, are in place, including in Montana, according to Jamie Kneen, a spokesman for Mining Watch Canada. Costa Rica has a national ban on open-pit gold mining.

Germany, the Czech Republic, Hungary, Turkey and several Argentine provinces have cyanide bans. In the Philippines, the government ordered more than half the mines to shut down or be suspended.
The risks of mining in El Salvador, however, are especially acute. The tiny country is densely populated and the second-most environmentally degraded country in the Americas, after Haiti, according to the United Nations.

“Mining is an industry whose primary and first victim is water,” said Mr. McKinley, who added that El Salvador faced a significant scarcity. “We are talking about an issue that is a life-or-death issue for the country.”

Mr. Wright, the legislator who worked to persuade his business-friendly party to support the law, said that climate change was already having an impact on El Salvador. “More than a theory or an uncertain science that it might have been 10 years ago, today for Salvadorans, it is a reality,” he said.

Unlike mining in neighboring Central American countries, mining in El Salvador has been limited to small-scale operations. The civil war of the 1980s deterred efforts to develop large-scale mines. International mining companies did not begin exploring until the 2000s.

Opposition to one of those companies eventually grew into a social movement against mining. The company, Pac Rim Cayman, sought a license to open a mine in the impoverished northern province of Cabañas but was rejected in 2005 because it had not met all the legal requirements.
As opposition mounted, clashes around the proposed mine led to the deaths of several anti-mining activists.

The de facto moratorium on permits that began under a government led by the Arena Party continued under the two successive governments led by the left-wing Farabundo Martí National Liberation Front.

Last October, El Salvador won an international dispute that had been filed by Pac Rim and continued by the Canadian-Australian company, OceanaGold, that acquired it. An international arbitration panel rejected OceanaGold’s claims for compensation.